Chegou a hora!
Quero tanto sair para conhecer os meus Pais e o Mundo que acabei por me esticar muito dentro da barriga da minha Mãe e comecei a "espetar" as pernas nos Rins dela... Sorry Mãe! Não sabia que isso doía...
Pois bem... No Domingo, dia 26 de Agosto, a Mãe começou a queixar-se com dores nos rins, sem fazer a mais pequena ideia que já eram contracções... Comentou com o Pai, mas o Pai sempre com muita calma disse que era o bebé com os pés. O problema é que as dores continuavam e a Mãe não sabia como havia de estar... senta, em pé, sentada... shit! Mais para o final da tarde, o Pai estava entretido no escritório a trabalhar e a Mãe na sala a ver tv... Entretanto quando o Pai foi falar com a Mãe para decidirem o que iam fazer de Jantar, viu a Mãe lavada em lágrimas! Perguntou o que se passava e ela disse que não aguentava mais as dores. O Pai deu-lhe na cabeça porque a Mãe não lhe disse nada e apesar de estar a trabalhar, a Mãe e o Filho estão em primeiro lugar... Enfim... De noite a Mãe praticamente não dormiu com as dores. Ora deitava-se na cama, ora levantava-se para andar um pouco, ora sentava-se no sofá... a noite toda nisto. O Pai acabou por não dormir nada por sentir a Mãe de um lado para o outro, mas também super preocupado, como é óbvio! A noite passou...
No dia seguinte, Segunda-Feira 27 de Agosto, o Pai preocupado e já a desconfiar do que se tratava, pediu à Mãe para cronometrar essas dores, para perceber se tinha algum padrão, como por exemplo de 30 em 30 minutos... Ela só perguntou se o Pai achava que eram contracções, o qual o Pai disse que podia ser, mas para isso tínhamos de cronometrar para ter a certeza. Mais para o final da tarde a Mãe foi ter com o Pai ao escritório, onde ele estava a trabalhar, para estar ao pé dele pois estava muito afilita com as dores e não queria estar sozinha... Entretanto as dores passaram a ter intervalos de 5 minutos e o Pai sempre atento ás horas, acabou por dizer à Mãe para irem ao Hospital quando já tinha passado 1 hora das dores com intervalos de 5 minutos. Lá foram...
No hospital a Mãe fez o CTG e confirmaram que as dores eram contracções e o facto de doer os rins, é algo raro, mas muito doloroso. Mandaram a Mãe para casa porque só tinha 3 dedos de dilatação com a recomendação de tomar 1 Benuron para acalmar as dores.
Mais uma noite sem dormir! As dores aumentaram e a medicação não fez efeito praticamente nenhum... O Pai também não dormiu preocupado e sempre alerta, pois desta vez a Mãe já gemia com dores e o Pai sofria com o sofrimento da Mãe. A noite passou...
Logo de manhã cerca das 7:45 (Terça-Feira, 28 de Agosto) o Pai acorda do pequeno sono que fez e questionou a Mãe acerca das dores e Mãe só disse que estava farta e que queria que lhe tirassem o bebé da barriga porque não aguentava mais. O Pai disse logo para voltar ao Hospital, o qual a Mãe respondeu que se calhar não valia a pena por não ter feito ainda a dilatação... O Pai só fez ver que um dia ela teria de lá ficar e na pior das hipóteses, eles teriam de dar outro fármaco para as dores. E lá foram...
Já no Hospital a Mãe entrou, foi observada e 10 minutos depois apareceu já com a bata do Hospital a dizer que ia lá ficar, mas continuava só com 3 a 4 dedos de dilatação.
Começou a aventura!
O Pai foi chamado para dentro do Bloco de Partos para acompanhar a Mãe, que estava inconsolável com dores... Passadas algumas horas a Mãe acabou por desesperar porque as dores não passavam e a dilatação não passava do mesmo... Começou a ponderar tomar Epidoral, decisão essa que demorou 10 minutos... Tinha de ser! Ela não aguentava mais! O Pai limitava-se a respeitar todas as decisões... só queria o melhor para a Mãe e que sofresse o minimo possível. Lá levou a Epidoral e 5 minutos depois passou tudo! Espetáculo!
Até aqui tudo bem, mas cerca de 2 horas após as dores voltaram, aos poucos e sempre a aumentar... Lógico! O efeito da Epidoral estava a passar... Para ajudar a dilatação não aumentava... muito... ás tantas já tinha 5 dedos, mas já tinham passado algumas 12 horas... estava a ser demais!
Já durante a noite começaram a dar mais Epidoral para ver se conseguiam manter a Mãe sem dores ou com o minimo possível, o problema é não podiam repetir os mesmos Fármacos, tinham de dar outros que eram mais fraco... como é óbvio não faziam tanto efeito e as dores estavam sempre presentes. Já de madrugada (Quarta-Feira, 29 de Agosto), a Mãe começou a descontrolar-se emocionalmente! É normal... Ela gemia, gritava, andava de um lado para o outro, sentava-se, chorava, enfim... tudo o possível e imaginável! Durante essa fase o Pai por 2 ou 3 vezes foi ao WC, mas não foi para fazer o que estão a pensar, foi para chorar! Era doloroso demais ver o que estava a ver e não poder fazer nada! O Pai preferia esconder da Mãe essas emoções para ela sentir que o Pai estava ali ao lado e era forte, para que ela se sentisse mais segura.
O tempo passou e a enfermeira já sem saber o que fazer, começou a dar-lhe outro Fármaco para acelerar o processo de Dilatação e aumentar as Contracções para ver se assim provocava o parto o mais rápido possível. Esse Fármaco acelerou de facto o processo, mas por consequência também aumentou as dores nos rins da Mãe e o Fármaco da Epidoral deixou de fazer efeito, ou por outra, fazer fazia, mas as dores eram mais fortes. A enfermeira acabou por decidir interromper esse Fármaco para não causar mais sofrimento e manteve a Epidoral para acalmar, aconselhando a Mãe dormir para descansar a cabeça e corpo, relembrando que mesmo a dormir a dilatação é feita... Isto foi por volta das 6h da Manhã... O Pai tentou sempre estar acordado e alerta, mas já era a 3 noite seguida sem dormir e acabou por dormir aos bocados sentado num cadeirão, todo torto, todo partido...
Entretanto por volta das 7:30 da manhã a Mãe acorda e o Pai também e lá voltaram as dores mas com mais intensidade o que era normal pois a Epidoral estava a perder o efeito e a dilatação já estava maior com cerca de 8 dedos. A Mãe começou a desesperar porque as dores eram horríveis e o Pai mais uma vez descontrolou-se e disfarçadamente lá ia de vez em quando ao WC despejar umas lágrimas.
Estava a ser Super doloroso para os dois, como é óbvio! Mas tínhamos de ir até ao fim!
Entretanto ás 8h da manhã (Quarta-Feira, 29 de Agosto) a Doutora disse que tinhamos de iniciar o parto, pois já estava na altura, com a dilatação e contracções necessárias. Só queriam saber como a Mãe queria fazer o parto, visto que actualmente não se é obrigada a fazer deitada na cama, tradicionalmente... A Mãe quis fazer sentada... pelo menos tentar...
Assim começou o parto!
A Mãe sentada na cadeira, o Pai sentado atrás dela para a segurar, mas nada... a Mãe estava esgotada com tantas horas a sofrer... já não tinha forças! Lá mudou de posição várias vezes, para perceber se alguma das posições ajudavam... Ela foi sentada, em pé, de lado, deitada, de coqueras, de 4, enfim... acho que experimentou todas as posições possiveis e imaginárias, mas nada... ela não conseguia... e só gritava "NÃO CONSIGO!"
Chegou mesmo a pedir para fazerem Cesariana, mas isso só fazem se houver perigo de vida para a Mãe ou para o bebé... Então o que começou com 2 enfermeiras, ás tantas já eram 4! Todas a dar muito apoio e incentivo. De vez em quando piscavam o olho ao Pai, porque iam mentindo, dizendo que a cabeça estava quase de fora quando não estava... O Pai teve de aguentar as emoções e ia sorrindo... Muita água bebeu o Pai com os nervos e as enfermeiras também preocupadas, de vez em quando perguntavam ao Pai se ele estava bem, mas felizmente o Pai aguentou-se! Não desmaiou, não se sentiu mal e tentou ver a situação como normal que era e ter de manter a calma, porque se descontrolar-se então a Mãe ficaria afectada e seria muito mais complicado.
De mãos dadas, lá o Pai incentivava, mas sem falar praticamente nada... Festa na cabeça, pegar nas mãos... enfim... também não podia fazer muito. A dada altura a Mãe ferrou as unhas nas mãos do Pai que ficaram negras... mas para parar o sofrimento da Mãe e o bebé nascer naturalmente, isso não interessa, vale tudo!
Passado 1h30 lá se começou a ver o cabelo do bebé e ai sim, a cabeça estava a começar a sair... a partir desta altura o parto durou mais 5 minutos...
...e assim nasceu o Afonso ás 9:28 do dia 29 de Agosto de 2018, com 3.300 e 49,5 cm!
Piolho! Deu muito trabalho à mãe e fez o Pai sofrer muito, mas já cá está e de perfeita saúde, o resto não interessa! Ele também não sabia o que estava a fazer... um dia pede desculpa aos pais :)
Após o Afonso nascer a Mãe fez questão de pegar logo nele e também de ser ela a cortar o Cordão... momento que o Pai dispensou ver, porque isso sim, faz-lhe confusão... No meio de tantas emoções uma das enfermeiras deu os parabéns ao Pai por ter aguentado tanto, dizendo que o Pai foi muito forte... E pronto! Aí estragou tudo... Não dava tempo de ir ao WC... o Pai disfarçadamente bebeu mais um pouco de água e manteve-se de costas para a Mãe durante algum tempo para que as lágrimas caíssem se ela ver. Nesse momento não tinha importância, mas o Pai queria que a Mãe se preocupasse com o Afonso e que toda atenção fosse para ele naquele momento. Era o momento de 2 que ninguém tem o direito de tirar! Depois lá se virou para a Mãe mas com o olhos todos molhados... o Pai não sabe se a Mãe se apercebeu, mas não interessa! O que interessa é que o Afonso está cá fora, o resto é conversa...